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Do Abismo
 


*

Vicissitude

 

I. Nada como um dia atrás do outro (com uma noite no meio).

II. A banda toca mas a banda passa.

III. A fila anda.

IV. O jogo só termina quando o juiz apita.

V. A banda toca, mas a banda NÃO pára.

 

Por conta de tudo isso a vicissitude faz nascer, no país dos coronéis, um presidente da Silva (sem dedo e sem medo).  

A vicissitude faz nascer, dos olhos verdes Buarques de Hollanda, um Buarque de Hollanda Brown - o neto do Chico, o filho do Carlinhos.

A vicissitude faz o maior poeta brasileiro da história quedar-se acabrunhado se perguntando: "e agora, José?"

Pois a vicissitude é a agulha afiada na ponta da roca que tece o mundo.

 

*



Escrito por Thiago Marques às 00h01
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Coke Santa Claus ou São Nicolau de Myra?

 

 

Feliz natal a todos!!!

 

 



Escrito por Thiago Marques às 16h00
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Poema em partes (parte IV - finale)

 

 

Custava papear sobre o balcão

E só dialogar, conversa avulsa

Tentando abarcar num mero bar

O ardor de tanta vida mais profusa?

 

E agora a vida escoa pelo ralo

Do mesmo que se foi a toda custa

A tentativa amar num só resvalo

A crença no amor desparafusa

 

Custava dizer manso o duro não

O não que nem me coube sob a blusa

O não que despedaça o coração

O não que toda alma se recusa?

 

Lambuza agora a tua vida vã

Em outro bar e mar a tentativa

Em mim o pouco que há de vida sã

Dor doce, oceano-mar do Não cativa.

 

Muito honrado suicida um coração

que se mata por não suportar a luta

de ver que o amor desliza pelo chão

se não lhe deu passagem sua musa.       

Escrito por Thiago Marques às 18h26
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João Gordo MTV x Dado Dolabella

 

http://www.youtube.com/watch?v=F41SpjJlj5g



Escrito por Thiago Marques às 18h24
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Poema em partes (Parte III)

 

*

 

Ver travada, entupida nas artérias

tanta mágoa, tanta faca, tanta busca

preto e prata fica o sangue pelo chão

perco a fala, viro a vala, viva a vulva...

(sempre a mais disposta a dizer não)

sempre a solitária mais confusa

sempre a que se aceita à contramão

sempre que a que se rasga obtusa

 

Custava dizer sim, pequeno vão?!

custava a comunhão que não se assusta?

em retirar de si o próprio pão

em retirar do pau às próprias custas

o alimento sangue pelo chão

em vez de no lençol, na saia justa

em vez de nas farpas do teu olhar

dizendo sim e não à faca muda.

 

*

 

(to be continued...)



Escrito por Thiago Marques às 18h09
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As 5 Leis Filosofais sobre o Devir e o Tempo

 

I. Não se pode banhar-se duas vezes nas mesmas águas de um rio.

II. A banda toca mas a banda passa.

III. A fila anda.

IV. O jogo só termina quando o juiz apita.

V. A banda toca, mas a banda NÃO pára.

 

- Heráclito de Éfeso, filósofo grego da antigüidade pré-socrática.

 

*



Escrito por Thiago Marques às 22h56
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Poema em partes (Parte II)

*

[...]

a faca ainda sobeja um fio são...

não de metal, mas de água mais augusta

que é vida escorrendo pelo chão

da espera, da toada da angústia

 

água sangue desenhando pelo chão

desdenhando o que foi a vida brusca

esta alma que já ama sem paixão

este corpo que sem chama se tortura

 

ao ver despetalado pelo chão

o talo, a flor, a madrugada lusa

abusa da quimera da ilusão:

a marca dessa vez foi mais profunda

 

mais que nas outras tentativas de emoção

que os estranhos lha chamaram moribunda

mas de nada suicida um coração

que se mata por não suportar a luta

 

[...]

*

(to be continued...)



Escrito por Thiago Marques às 15h34
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Poema em partes (Parte I)

 

- Atravessura

 

Estou atravessado pelo Não

do amor de quem me vê e não me busca

por isso nem pergunta o quanto quer

meu miserável pão o quanto custa

 

e após lutar perene tal ventura

escolho a mais serena tentação

vou entregar minhalma à noite escura

madura a pura e dura decisão

 

pego a lâmina que estiver à mão

a faca, a fio cego, sem doçura

e decido com um gesto de oblação

rasgar tecido externo que não pulsa

[...]

(to be continued...)



Escrito por Thiago Marques às 14h03
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*

Ser o Não Ser

Eis a Questão...

 

*



Escrito por Thiago Marques às 22h25
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Sambamos

 

 

Os poetas, os sambistas, os cantores

os músicos amados, de vinho bebedores

esses que há tempos temos vindo admirar

 

sempre sozinhos, sofredores bambas

esses boêmios de até o sol raiar

não é à toa cantar tantos sambas

se tão sozinhos bambas vão ficar

 

os amantes, que vão cedinho à pista

e partem logo que o samba esquentar

é outra chama que lhes tolda a vista

é outro vinho que lhes quer tomar

 

pergunto à minha amante se é verdade

a redondilha que acabo de inventar

ela embriagada e potestade

respinga em minha boca concordar

 

se é verdade que o amor é samba

se é veredicto que o vinho é amar

amor se faz se o vinho se dissolve

amor se faz se o samba se calar



Escrito por Thiago Marques às 06h27
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Tom Zé

Percussionista e músico de vanguarda, o nordestino Tom Zé é o ser humano brasileiro mais vezes citado por edições do jornal "The New York Times". Isso se deve sobretudo porque sua música é tão contemporânea e brilhante que só encontra eco e aceitação no mercado internacional. Seu último álbum, DANÇ-ÊH-SÁ, Dança dos Herdeiros do Sacrifício, está sendo interpretado no SESC Pinheiros (SP), e propõe, assim como no CD, o "enterro da canção" (nenhuma música tem letra) e o "despertar da juventude brasileira".

Tom Zé critica músicos nacionais: "Caetano e Chico são irresponsáveis", brada. O compositor se refere especificamente aos novos álbuns dos ícones da MPB. "Eles são gênios. Se nossa juventude é hedonista e desinteressada pela solidariedade, esses gênios têm de se mobilizar", segue.

A avaliação sobre os jovens não é de Tom Zé, mas de uma pesquisa feita pela MTV em 2005. Ela foi uma das inspirações de DANÇ-ÊH-SÁ. "Ele (o disco) é uma chamada à responsabilidade de todos os nossos gênios", discursa o artista.

 

Segue abaixo a canção "2001", verdadeiro poema para os nossos tempos.

 

2001  - Tom Zé & Rita Lee Jones

 

"Astronarta" libertado
Minha vida me ultrapassa
Em qualquer rota que eu faça
Dei um grito no escuro
Sou parceiro do futuro
Na reluzente galáxia

Eu quase posso "palpar"
A minha vida que grita
Emprenha e se reproduz
Na velocidade da luz
A cor do céu me compõe
O mar azul me dissolve
A equaçao me propõe
Computador me resolve

Amei a velocidade
Casei com sete planetas
Por filho, cor e espaço
Não me tenho nem me faço
A rota do ano-luz
Calculo dentro do passo
Minha dor é cicatriz
Minha morte não me quis

Nos braços de dois mil anos
Eu nasci sem ter idade
Sou casado, sou solteiro
Sou baiano e estrangeiro
Meu sangue é de gasolina
Correndo não tenho mágoa
Meu peito é de "sar" de fruta
Fervendo no copo d'água

 

* * * 



Escrito por Thiago Marques às 20h09
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*

 

*

"Hoje eu acordei com medo
mas não chorei
nem reclamei abrigo.
Do escuro eu via
um infinito sem presente
passado ou futuro..."

(Ney Matogrosso / Cazuza / Frejat)

 

*

 

 



Escrito por Thiago Marques às 13h31
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